16.10.14

QUE NEM CINZAS, CICATRIZES

QUE NEM CINZAS, CICATRIZES
poema escrito para a Oficina de Poesia e Letra de Música de 
Leoni e Mauro Sta Cecília na Estação das Letras
exercício proposto: um poema sobre o esquecimento

Vagamente sim me lembro era morena

Cor de névoa manhãzinha o seu vestido

Tinha sonhos que vazavam em poemas

Cor de lótus seus cabelos no retrato

Vagamente sim me lembro fui surfista

Ou era ela o oceano em que eu vivia

A memória é um descuido da amnésia

Como a reza o último grito do aluado

Ou o ritmo o primeiro ardil do mar

Vagamente um tango não se ensaia a sós

A cidade me falseia as avenidas

Quando saio do meu quarto em rebeldia

Todo azul quando anoitece é mais marinho

Sei caminhos que só abrem ao luar

Contra a insídia assim azul do esquecimento

Vagamente sim me lembro ela um vestido

Tinha um chá cor de hortelã ela adorava

Contar sílabas nas falas dos jornais

Que foi isso outro ruído na antessala

Reboco solto de vida que desaba

Vagamente lembro um traço aroma vulto

Ai socorram-me subi na prancha às cegas

Quem me salva disso que não sei palavras

Tristes disquetes sem leitura recuerdos

Vagamente sim me lembro ela era azul


set. 2013

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