RETROSPECTIVA
poema
escrito para a Oficina de Poesia e Letra de Música de Leoni e Mauro
Sta Cecília na Estação das Letras
exercício
proposto: um poema sobre a foto abaixo
Alguém perdido na vesperal, amando por
dentro às três da tarde.
Cada fotograma uma punhalada nos
verões de antes, ouro sobre azul-claro −
hoje esses marços falsos não o iludem.
A pele do peito do pé é proibida. Só a
sola preme o rosto e tatua seu perfil na areia fresca das memórias impossíveis.
Sal e sonho pactuaram um continente
que se desprendeu do passado
e arrastou as tardes, lembradas entre
brisas.
O breu da sala realça as gotas de suor
(Água do mar? Que secreto
sumo
cobre a cena?) nunca vazado.
Ontem ao telefone, ele teve um branco de espasmo e
perdeu
a noção do tempo − três segundos, uma vida – na memória de
umas texturas.
Quando sobem a
adrenalina e os créditos, cai o pano, a ficha, a autoestima
e ele é só mais um
desabrigado das intempéries produtivas, corriqueiras, nenhuma nota de rodapé
nos compêndios econômicos da moda;
vespertina
ausência de papel social, ambulando sem rumo nas calçadas de padrões
sinuosos
onde bares impõem aos olhos executivos imberbes, fechando transações
transoceânicas em seus dispositivos portáteis.
Ele para,
o bairro gira.
Para
leste, com o mundo.
Mar em
frente, ele se move.
Sorrindo.
set. 2014

Nenhum comentário:
Postar um comentário